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A Cultura como Objecto de Controlo Turístico Versão para impressão E-mail
Autor: Figueiredo Santos   
01-Abr-2008
Índice
A Cultura como Objecto de Controlo Turístico
1. Estruturação das representações turístico-culturais
2. Turismo cultural e formas de apropriação identitária
2.1. O Turismo cultural como apropriação nostálgica da cultura
2.2. O turismo cultural como apropriação sacralizadora da cultura
2.3. O turismo cultural como conversor da objectivação da cultura
2.4. Turismo cultural como promotor da encenação da cultura
2.5. A mercantilização turística da cultura
Considerações finais
Bibliografia

Considerações finais

Tudo indica que, perante os efeitos locais do lastro turístico cultural aqui resumidos, ressalta a pertinência de um conjunto de reflexões, a saber:
  1. A constatação de uma controvérsia que está longe de se constituir palco de uma leitura convergente quanto aos impactos resultantes da produção de bens simbólicos orientada para o consumo.
  2. Da ambivalência do turismo cultural tanto pode ressaltar, num plano de confronto com cenários ficcionais, um sentimento de decepção gerado pelas mudanças operadas nas funções seminais da cultura, quanto o convite a uma releitura baseada na aceitação de uma cultura situacionalmente induzida.
  3. Experiências autênticas e não autênticas, contrastes e repetições, valores de uso e de troca, oposições estruturais através das quais a relação entre a tradição e modernidade é construída (ou melhor através da qual a modernidade se define contra o seu Outro mítico), encontram-se potencialmente inacabadas, sem que cada uma esteja aprisionada num atributo. A relação entre turistas e autóctones, entre o exótico e o conhecido, entre o imediatismo e as formas de associação humana pertencem a esta estrutura, continuando a operar como poderosas categorias experimentais.
  4. Esta estilização turística acciona esferas de significados negociáveis que se sobrepõem e interrelacionam, devendo ser vistas como experiências com tendências e contribuições específicas. Isto sem prejuízo de se observar que o nível de interdependências globais remete para a consciência de que o fundo de verdade desta problemática parece residir mais nos modelos operativos da sociologia clássica, com as suas particularizações das culturas – uma vez que o sincretismo, a mestiçagem inerentes aos processos de hibridismo (Canclini, 1997) sempre foram a regra. Processos que se emaranham num bricolage de processos de contaminação em que os indivíduos não têm mais a possibilidade de distinguir fronteiras de significado entre a generalidade embutida na vida e a generalidade embutida nas representações da vida, tudo assentando em respostas mais ou menos criativas ao mundo moderno na sua radical problematicidade.
  5. O turismo cultural não se dissocia da realidade das estruturas em que é produzido, mais não fazendo que confirmar a afirmação de Norbert Elias de que “a maneira corrente de formarmos as palavras e os conceitos reforça a tendência do nosso pensamento para reificar e desumanizar as estruturas sociais” (Elias, sd.: 16).
  6. A problematização das formas de apropriação da cultura pelo turismo mais não faz que reflectir o naufrágio em que ela própria caiu, a ponto de se poder suspender a própria ideia de “cultura”, enquanto horizonte insuperável no interior do qual conhecemos e experimentamos a nossa realidade.


 
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