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A Cultura como Objecto de Controlo Turístico |
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Autor: Figueiredo Santos
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01-Abr-2008 |
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Considerações finais
Tudo indica que, perante os efeitos locais do lastro turístico cultural aqui resumidos, ressalta a pertinência de um conjunto de reflexões, a saber:
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A constatação de uma controvérsia que está longe de se constituir palco de uma leitura convergente quanto aos impactos resultantes da produção de bens simbólicos orientada para o consumo.
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Da ambivalência do turismo cultural tanto pode ressaltar, num plano de confronto com cenários ficcionais, um sentimento de decepção gerado pelas mudanças operadas nas funções seminais da cultura, quanto o convite a uma releitura baseada na aceitação de uma cultura situacionalmente induzida.
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Experiências autênticas e não autênticas, contrastes e repetições, valores de uso e de troca, oposições estruturais através das quais a relação entre a tradição e modernidade é construída (ou melhor através da qual a modernidade se define contra o seu Outro mítico), encontram-se potencialmente inacabadas, sem que cada uma esteja aprisionada num atributo. A relação entre turistas e autóctones, entre o exótico e o conhecido, entre o imediatismo e as formas de associação humana pertencem a esta estrutura, continuando a operar como poderosas categorias experimentais.
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Esta estilização turística acciona esferas de significados negociáveis que se sobrepõem e interrelacionam, devendo ser vistas como experiências com tendências e contribuições específicas. Isto sem prejuízo de se observar que o nível de interdependências globais remete para a consciência de que o fundo de verdade desta problemática parece residir mais nos modelos operativos da sociologia clássica, com as suas particularizações das culturas – uma vez que o sincretismo, a mestiçagem inerentes aos processos de hibridismo (Canclini, 1997) sempre foram a regra. Processos que se emaranham num bricolage de processos de contaminação em que os indivíduos não têm mais a possibilidade de distinguir fronteiras de significado entre a generalidade embutida na vida e a generalidade embutida nas representações da vida, tudo assentando em respostas mais ou menos criativas ao mundo moderno na sua radical problematicidade.
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O turismo cultural não se dissocia da realidade das estruturas em que é produzido, mais não fazendo que confirmar a afirmação de Norbert Elias de que “a maneira corrente de formarmos as palavras e os conceitos reforça a tendência do nosso pensamento para reificar e desumanizar as estruturas sociais” (Elias, sd.: 16).
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A problematização das formas de apropriação da cultura pelo turismo mais não faz que reflectir o naufrágio em que ela própria caiu, a ponto de se poder suspender a própria ideia de “cultura”, enquanto horizonte insuperável no interior do qual conhecemos e experimentamos a nossa realidade.
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