Home arrow Edições arrow Edição nº14 arrow A Cultura como Objecto de Controlo Turístico
A Cultura como Objecto de Controlo Turístico Versão para impressão E-mail
Autor: Figueiredo Santos   
01-Abr-2008
Índice
A Cultura como Objecto de Controlo Turístico
1. Estruturação das representações turístico-culturais
2. Turismo cultural e formas de apropriação identitária
2.1. O Turismo cultural como apropriação nostálgica da cultura
2.2. O turismo cultural como apropriação sacralizadora da cultura
2.3. O turismo cultural como conversor da objectivação da cultura
2.4. Turismo cultural como promotor da encenação da cultura
2.5. A mercantilização turística da cultura
Considerações finais
Bibliografia

Palavras-chave:

Resumo

Com este artigo pretende-se sistematizar algumas mudanças na função seminal da cultura, associadas aos seus modos de apropriação pela intermediação turístico-cultural.

Clique aqui para fazer download do texto completo em PDF.

Introdução

Se parece despicienda qualquer argumentação sobre a crescente centralidade do “turismo cultural” na vida moderna, o mesmo não será de dizer quanto ao questionamento das suas implicações nas transformações da cultura.

Se, num sentido lato e genérico, o turismo pode ser entendido como um “ethnoscape” (Appadurai, 1990), o mesmo é dizer que não há lugar à existência de turismo sem que esta seja requerida como esfera transaccionável para a sua consumação, que sentido tem falar de turismo cultural?

Esta interlocução com a sua lógica de sentido seria estéril se, da discussão acerca das formas como o turismo se imiscui nos pressupostos e modos da cultura, não se depreendessem antinomias analíticas resultantes das implicações económicas, sociais e culturais do turismo, facto que não se dissocia da sua amplitude e relevância. Ilustram-nas os estudos sobre o tema quando, a partir dos anos 60, emerge um número significativo de trabalhos, com relevo para as obras de Boorstin, Valene Smith, E. Cohen, J. Urry, D. Nash, L. Turner e J. Ash, e tantos outros especialistas atraídos pelas questões identitárias das sociedades receptoras e demais aspectos relativos aos encontros de culturas em contexto turístico.Tal é, no mínimo, coincidente com o facto de ter sido, sobretudo, a partir dos anos de 70, que a esse processo dinâmico se associam fenómenos que o favorecem, como o desenvolvimento das indústrias culturais e dos media e as novas orientações da UNESCO em relação ao património. Nessa conjunção, o turismo contemporâneo torna-se uma experiência tão mágica quanto controversa. Se “desperta” pequenas comunidades esquecidas pela história que, subitamente, se descobrem detentoras de capitais lúdicos, também sobre ele impendem impactos negativos, reflectidos, sobretudo, nas diversas correntes da crítica da cultura.

Ao mesmo tempo que, na era da reinvenção dos espaços locais, cresce a procura turística, afirma-se a preocupação com a preservação dos bens culturais e naturais ameaçados. Daí que a década de 80 incorpore na sua agenda todo um movimento em torno da memória dos povos, do regresso a uma busca identitária, intensificada nos anos 90, quando se visa consolidar também a noção de desenvolvimento sustentável, pelo que as práticas turísticas não ficam de fora dos grandes problemas sociais, culturais e ambientais do mundo actual.

É diante da suspeita de que não se está apenas perante uma manifestação discursiva, investida do propósito da atribuição de um cunho particular ao significado de uma experiência, que emerge odesafio do exercício de um pensamento reabilitador de alguns fundamentos que ponham a nu a lógica social do seu sentido.

Se estas considerações têm fundamento, cumpre questionar, num registo em que a cultura se impõe como operadora de agenciamento turístico, que lógica particular preside à expressão turismo cultural e, como nesse envelope se decretam fronteiras entre o que é e não é turismo cultural? Quem e como decide que um objecto, uma actividade ou um conhecimento se constituem como bens culturais? De que forma é que o turismo, ao supor recursos utilizados para composição de estilos de vida contemporâneos, se imiscui nos pressupostos e modos da cultura?

Posto isto, melhor se compreende que este ensaio se abra à interlocução com o modo como a cultura se empresta a dar o mote à forma como os indivíduos a incorporam na experiência turística.



 
Adicionar artigo a:Estes ícones permitem adicionar o presente artigo a redes de "social bookmarking".
  • slashdot
  • del.icio.us
  • technorati
  • digg
  • Furl
  • YahooMyWeb
  • Reddit
  • Blinklist
  • Fark
  • Simpy
  • Spurl
  • NewsVine