Before and After Cyber
Autor: Jorge Martins Rosa   
04-Jun-2007

Texto realizado no âmbito do Projecto «Tendências da Cultura das Redes em Portugal» (POCTI/COM/34436/99).

Introdução: Para uma Genealogia da Cibercultura

Ao averiguar sobre as origens da cibercultura – ou, para ser mais concreto, de todo o conjunto de práticas que se convencionou associar a esse termo –, é tão necessário retraçar a ligação ao aglomerado de ciências e engenharias que permitiram criar infra-estruturas como a Internet (os computadores, a possibilidade de ligá-los em rede, as interfaces gráficas, etc.) quanto a todo um imaginário que, extrapolando se não mesmo especulando[1] a partir do pouco que havia sido concretizado na viragem para a segunda metade do século XX, criou toda uma apetência para adoptar (e talvez influenciar) as inovações que entretanto se foram sucedendo. É certo que muitas dessas inovações ultrapassaram ou se desviaram das previsões mais eufóricas – por exemplo, dificilmente se imaginaria, quando foram criadas as primeiras aplicações de correio electrónico, que não só o seu uso seria tão universal como também que serviria para enviar os mais diversos tipos de documentos. É certo também que outras aspirações ficaram – até ver – aquém de expectativas então consideradas modestas: a ilustração talvez mais flagrante é o facto de terem passado mais de cinquenta anos sobre as primeiras promessas de inteligência artificial e elas continuarem por cumprir apesar do brutal aumento nas capacidades de computação. Um outro é o do aproveitamento comercial (e consequente «democratização») da exploração espacial, como no sonho por vezes referido da criação de hotéis em estações espaciais. Mas em todo o caso, não pode ser ignorada a importância desse universo, paralelo ao da realidade concreta mas aparentado das reflexões ensaísticas de autores-cientistas como Alan Turing, Norbert Wiener, Wernher von Braun ou Arthur C. Clarke[2], que é o da ficção.

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[1] A oposição entre extrapolação e especulação é uma das mais incontornáveis no universo dos estudos sobre a ficção científica. No presente contexto, bastará referir que a ficção extrapolativa procura, com o rigor possível, imaginar como será um futuro próximo se se seguirem as tendências no estado presente da tecnologia, enquanto a ficção especulativa é muito mais livre e menos rigorosa, retratando por isso, regra geral, sociedades dum futuro longínquo. Em coerência com esta primeira distinção, a extrapolação tende também a ocorrer muito mais nas obras de hard sf (isto é, o subgénero que se reclama de maior rigor relativamente ao estado do conhecimento nas chamadas «ciências duras») ao mesmo tempo que a especulação se aproxima da soft sf (mais próxima das ciências humanas) ou mesmo da fantasy.

[2]
Arthur C. Clarke, para além de ser um dos autores mais relevantes de ficção científica – principalmente depois de se tornar mais conhecido do grande público através do filme 2001, adaptado do conto «The Sentinel» e depois «novelizado» –, foi, tanto ou mais do que os outros nomes referidos, um divulgador (e futurólogo) da ciência e da tecnologia. Refiram-se duas das colectâneas que reúnem os seus ensaios, quase sempre escritos para revistas ou jornais destinadas ao público geral: Report on Planet Three and Other Speculations (onde surge a ideia, acima referida, de hotéis no espaço) e Profiles of the Future, este último tendo merecido o direito a uma «Millenium Edition» quase quarenta anos depois da edição original.
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As notas de Madame. Incerteza, risco, precaução
Autor: Fernando Cascais   
01-Mai-2007
Vivir es lo más íntimo del mundo.
Es sentir en la piel esa caricia
del aire circundante. Estar despierto.
Despierto de la muerte, estar en vivo.
Haber atravesado los confines
de la nada y venir a establecerse
a esta zona clemente del espacio
donde la enfermedad se llama vida.
Ser entonces lo vivo, lo precioso,
esta palpitación inesperada,
este ardor hecho sueño, este trastorno
de placidez, un canto, una plegaria.
Un entretenimiento delicioso
del que nunca sabremos a su hora
que fue, si fue, si era, si habrá sido.

Juan Gil-Albert, “Los átomos” (Homenaje a Mme. Curie)

O tema da responsabilidade científica surge, na sequência da Segunda Guerra Mundial, a partir da problematização do risco decorrente da incerteza científica.
São momentos fundamentais da história moderna da responsabilidade científica o caso Oppenheimer, no quadro delimitado pela Segunda Guerra Mundial, a guerra fria e o projecto Manhattan, no início dos anos cinquenta, e a moratória de Paul Berg, na primeira metade da década de setenta. Estes dois casos têm um valor paradigmático, pois encontram-se já presentes neles os dados fundamentais das actuais reflexões sobre o risco e a incerteza, e a correspondente responsabilização das comunidades científicas.

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Cultura, Media e Espaço - A instalação da experiência e das artes
Autor: Maria Teresa Cruz   
02-Abr-2007
Resumo

A forma como a cultura contemporânea parece privilegiar uma relação ao espaço está directamente ligada ao crescimento das mediações e, em particular, ao crescimento das tecnologias da comunicação e da informação. Da realidade física à realidade social, política e económica, à cultura e às artes, este protagonismo do espaço torna-se tanto mais interessante quanto a modernidade parece ter decorrido, por sua vez, sob o signo do tempo. A experiência moderna pensava-se fundamentalmente como um fazer da história, e também no caso da cultura e das artes, foi a temporalidade que nos legou noções tão centrais como as de «novo» e de «vanguarda». Mas a própria história da cultura humana revela hoje não ser senão um longo processo de mediatização e de espacialização da experiência, através da transformação do meio ambiente em espaço crescentemente abstracto e artificial, mas também em matriz crescentemente aberta de possibilidades. A artes contemporâneas mostram também elas, com particular nitidez, o quanto a cultura está de facto voltada para uma relação central com o espaço. A relevância crescente da arquitectura e do design, a relação intrínseca destas disciplinas com a própria construção do ciberespaço, a expansão do tectónico e da instalação, etc.. são aspectos fundamentais da relação entre cultura media e espaço que se procura aqui interpretar.

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