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FESTIVAL DE IMAGEM DE OEIRAS 2004
SÍNTESE | SYNTHESIS
A imagem – como todo o resto da História – confirmou o sintético como
paradigma. No cinema, os actores interagem com robôs sobre fundos de
computação gráfica. Ou o hiper-real nasce sintético, como em Final Fantasy.
Mesmo no cinema de expressão “realista”, o nariz de Nicole Kidman é
digitalmente alterado, de forma a iludir o espectador. Na televisão, o ecrã
subdivide-se em vários planos com informação distintas: o apresentador, a
legenda com os cabeçalhos, a reportagem como imagem de fundo: no final, uma
imagem complexa com várias formas de leitura (textual e visual) e com
inúmeras possibilidades de recontextualização (ou manipulação?).
Até a guerra, esse acontecimento merecedor do maior rigor informativo,
mescla imagens de natureza insondável ou aproxima a sua técnica narrativa –
e estética – dos vídeojogos, imagens simulacro por excelência. O real, se
existe, está definitivamente representado por um simulacro que não o aceita
como tal, mas promove, cega e voluntariosamente, uma versão melhorada dele.
Por retroacção, será que a perfeição pode instituir-se a partir da
representação? Ou, dito de outra forma, ser-nos-á impossível já viver o
real?
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