|
|
>>> Congresso Internacional 'Cultura Digital e Cidadania'
>>> Uma co-organização: Projecto «Tendências da Cultura das Redes em Portugal»/CECL-UNL
<Projecto POCTI/34436/COM/2000, aprovado pela FCT com o apoio do FEDER>
e
Universidad Autónoma de Madrid
>>> Escola Politécnica Superior da Universidad Autónoma de Madrid,
Madrid
>>> De 15.11 a 19.11 de 2004
Tanto a União Europeia como os
restantes países industrializados se confrontam perante a mudança de
paradigma que é trazida com a globalização e com a nova economia do
conhecimento. Estas sociedades em desenvolvimento contêm algumas anomalias
que podem gerar desequilíbrios estruturais, somando uma «dimensão digital»
às desigualdades sociais existentes. O auge da sociedade da informação,
apesar
das
suas inquestionáveis vantagens, traz consigo um risco de fractura
social. As próprias características do processo de incorporação das novas
tecnologias à vida quotidiana podem agravar os desequilíbrios, ao acentuar a
exclusão de diversos grupos sociais. Este problema, transportado para o
plano internacional, multiplica-se exponencialmente, fomentando
desigualdades económico-políticas. Face a esta situação, o presente
Congresso Internacional assume como tarefa própria identificar os problemas
e as acções a empreender relativamente à assimilação contemporânea da nova
instrumentalidade tecnológica, centrando-se nas considerações sociais,
políticas, filosóficas, económicas, éticas e artísticas vinculadas ao
desenvolvimento da cultura digital.
A investigação dos signos pelos quais estas novas formas de cidadania se
encontram envolvidas e constituídas torna necessário uma aproximação que
complemente a dimensão sócio-política para revelar as estruturas de
significação em que se produz todo o sentido social. A partir desta
perspectiva, a arte deve ser enfocada como uma via de análise qualitativa
das estruturas da realidade, assim como uma potente ferramenta de
prognóstico simbólico sobre do devir social. Neste começo de milénio, a arte
revela as forças sociais de uma mudança linguística com uma virulência
desconhecida para a nossa cultura, ao mesmo tempo que gera –como laboratório
de ideias – vias de desenvolvimento tecnológico a partir do seu poder de
configuração utópica. A presença de destacados especialistas na trama
digital do cidadão contemporâneo ajudará a criar neste congresso um mosaico
colectivo que mostre o uso e a incorporação das tecnologias de informação e
das comunicações na prática dos direitos de cidadania e de participação
social.
A divisão temática do congresso responde à necessidade de analisar com
profundidade o eixo central da cultura digital, a saber, o problema da
conexão. Desde os gregos, como pode apreciar-se n’ O Banquete de
Platão, a ligação tem sido pensada da perspectiva do eros. Por sua
vez, a persistência metafísica do conceito de «identidade», ao privilegiar
um «sujeito» e um «objecto» estáveis, tem tendido a osbcurecer o facto de
que o humano depende totalmente da natureza dessas conexões. Tal é
reconhecido de forma ambivalente pela Modernidade, reduzindo as conexões a
contratos que se estabelecem entre «indivíduos» autónomos ou a uma suposta
perda de racionalidade, devida à intervenção residual das paixões. Esta
tendência identitária causou a ocultação das ligações. Um bom exemplo disto,
especialmente durante o século XIX, foi a redução do erótico à mera
«sexualidade». Contudo, esta ocultação histórica não implica, ainda que seja
de forma «inconsciente», que a matriz das múltiplas conexões não tenha
constituído subterraneamente a questão central da experiência humana.
O nosso panorama cultural está a mudar radicalmente devido à automatização
das conexões realizadas pelas tecnologias digitais. A confrontação da matriz
digital com os vínculos tradicionais pressupõe tanto a crise profunda dos
padrões herdados como a irrupção de uma nova visibilidade do problema da
ligação. Daí a actual e insistente reiteração de conceitos como «link»,
«interactividade», «on-line», «wired», etc.
Sem dúvida alguma, o corpo-a-corpo das conexões técnicas não foi
suficientemente analisado pela pós-modernidade, ao defender uma cultura da
«hibridação» e da «multiplicidade». Esta situação constitui unicamente o
efeito perverso da já mencionada tendência identitária. Nada muda
efectivamente ao passar de identidades «fortes» a outras supostamente
«débeis». O que se está a estabelecer realmente é uma profunda mudança das
categorias, das divisões e das fronteiras institucionalizadas
historicamente. Nesse âmbito conflitual, está a produzir-se uma fusão entre
o biológico e o mecânico, entre a carne e a imagem, entre o real e o
potencial. Por sua vez, a excessiva euforia da multiplicidade, da
complexidade e do rizomático estabelece como problema central a necessidade
artificial de estar sempre «conectado». A não ser assim, o indivíduo
encontrar-se-á «info-excluído». Esta perturbadora lógica obriga o sujeito a
tomar uma decisão radical que apenas conhece duas possibilidades: «on» ou
«off». O efeito imediato é a constante «compulsão à conexão» contemporânea.
Daí que o problema da conexão constitua o verdadeiro campo de batalha no
qual se joga o destino da cidadania, afectando a cultura, a política e a
arte. Na actualidade, deparamo-nos com uma nova «erótica generalizada»,
orientada por uma insólita pulsão tecnológica que requer uma crítica
urgente, de modo a que sejam repensados os problemas que encerra a nova
cultura digital e o seu estatuto político.
<Programa>
Segunda-feira, 15 de Novembro
16.30 h. Acreditações e entrega de documentação
17.30 h. Inauguração
Exmo. e Magfco. Sr. D. Ángel Gabilondo, Reitor
da Universidad Autónoma de Madrid (UAM)
Ilmo. Sr. D. José Luis Ripoll, Director General
da Fundação Vodafone Espanha
I. Sociedade da Informação, comunicação e
novas tecnologias
18.00 h. Conferência inaugural.
“Comunidad y comunicación en la era digital”
Ángel Gabilondo, Catedrático de Filosofía e
Reitor da UAM
19.00 h. Pausa cocktail
19.30 h. “Retórica de la comunicación digital”
Tomás Albaladejo, Catedrático de Teoria da
Literatura e Literatura Comparada da UAM
20.30 h. “Movilidad y ciudadanía: nuevos retos y nuevos horizontes de la
tercera generación”
Javier Jaquotot, Director de Estratégia da
Vodafone Espanha
21.30 h. Final da primeira jornada
Terça-feira, 16 de Novembro
II. Cultura das redes
16.00 h.
“La reticularidad del eros”
António Fernando Cascais, Professor de Ética da
Universidade Nova de Lisboa
“El cuerpo como confirmación de la metafísica”
Jorge Leandro Rosa, Professor de Pensamento
Contemporâneo da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de
Lisboa
“Letras blancas, pantallas negras: instantáneas de comienzos de la
cibercultura”
António Saraiva (a.k.a. dr Bakali), Comissário
de Lugar Comum – Centro de Experimentação Artística e Director da Associação
para a Fronteira Electrónica
18.00 h. “Hacia una crítica del eros tecnológico”
José A. Bragança de Miranda, Professor de
Cibercultura e de Teoria da Cultura da Universidade Nova de Lisboa
19.00 h. “Igualdad y competición en redes”
António Machuco Rosa, Professor de Teoria dos
Sistemas e da Informação da Universidade Lusófona de Humanidades e
Tecnologias de Lisboa
20.00 h. “Hiperpolítica: la ciudadanía en la era digital”
Andoni Alonso, Professor de Filosofia da
Universidad de Extremadura
21.00 h. Final da segunda jornada
Quarta-feira, 17 de Novembro
III. Ética e ontotecnologia
16.00 h.
“Es Navidad en Worldbot. De la I. A. a la Conciencia Artificial”
Enrique Alonso, Professor de Lógica e Filosofia
da Ciência da Universidad Autónoma de Madrid
“Ciberpresencia: en torno a la cuestión de la subjetividad”
Maria Lucília Marcos, Profesora de Filosofia do
Sujeito da Universidade Nova de Lisboa
“Tecnologías del poder y el poder de las tecnologías”
Alfonso Moraleja, Director de Cuaderno Gris
IV. Hipertexto e hipermédia
18.00 h. “Impresiones del cuerpo en la literatura digital”
José Augusto Mourão, Professor de Teoria do
Hipertexto da Universidade Nova de Lisboa
19.00 h.
“Los desafíos del hipertexto”
Maria Augusta Babo, Professora de Teoria do
Texto da Universidade Nova de Lisboa
“Mediaciones de la sensibilidad”
Maria Teresa Cruz, Professora de Estética da
Universidade Nova de Lisboa
20.00 h. “La metafísica de la información”
Hermínio Martins, Professor de Sociologia del
St. Antony’s College da Universidad de Oxford, Reino Unido
21.00 h. Final da terceira jornada
Quinta-feira, 18 de Novembro
V. Cultura digital, arte e cidadania
16.00 h. “Arte, ciencia y tecnología: claves para una estética digital”
Claudia Giannetti, Directora do Media Centro de
Arte e Desenho (MECAD) da Escola Superior de Desenho (ESDI) de Barcelona
17.00 h.
“La pasión del artificio”
José Manuel Gomes Pinto, Professor de Teoria
dos Meios da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa
“El romanticismo del hacker”
Domingo Hernández, Professor de Estética e
Teoria das Artes da Universidad de Salamanca
“Arte interactivo: de la inmediatez necesaria a la pasividad compartida”
Fernando José Pereira, Professor de Belas Artes
da Universidade do Porto
19.00 h. “El arte en la era digital”
Florian Rötzer, Director da revista Telépolis
de Munich, Alemanha
20.00 h. “¿Perjudica Internet a la democracia?”
John Perry Barlow, Fundador da Electronic
Frontier Foundation e Fellow do Berkman Center for Internet and Society da
Universidade de Harvard, USA
21.00 h. Final da quarta jornada
Sexta-feira, 19 de Novembro
10.00 h. “Radioman”
José Iges, Programador de RNE, Director de Ars
sonora e Coordenador do Grupo Ars acustica da UER
11.00 h. “Cálculo, control y singularidad”
Bernard Stiegler, Director do IRCAM do Centre
Georges Pompidou de París, França
VI. Sociedade e tecnologia
12.00 h. “Ya portamos en nosotros los terminales de la infociudad”
Fernando Sáez Vacas, Catedrático de Engenharia
de Sistemas Telemáticos da Universidad Politécnica de Madrid
13.30 h. “Narcisismo tecnológico y responsabilidad estética”
José Luis Molinuevo, Catedrático de Estética e
Teoria das Artes da Universidad de Salamanca
15.00 h. Final da sessão matinal
16.00 h.
“Comunicación y sociedad: el papel de la tecnología en la configuración
social del sujeto”
Manuel José Damásio, Professor de Novas
Linguagens Tecnológicas da Universidade Lusófona de Humanidades e
Tecnologias de Lisboa
“Horror pleni: anonadados por la sociedad digital”
Enrique Romerales, Professor de Filosofia da
Universidad Autónoma de Madrid
“Sociedad y tecnología en el cambio de milenio: la emergencia de la
sociedad de la información y del conocimiento”
Cristóbal Torres, Professor de Sociologia da
Universidad Autónoma de Madrid
18.00 h.
“Contra la comunicación”
Mario Perniola, Catedrático de Estética da
Universidade de Roma, Itália
19.00 h. Conferência de encerramento.
“Tecnología y sociedad: una pareja malavenida”
Fernando Vallespín, Catedrático de Ciência
Política da Universidad Autónoma de Madrid e Director do Centro de
Investigações Sociológicas
20.30 h. Encerramento
Exmo. e Magfco. Sr. D. Ángel Gabilondo, Reitor
da Universidad Autónoma de Madrid
Ilmo. Sr. D. José Luis Ripoll, Director General
da Fundação Vodafone Espanha
21.00 h. Final do Congresso
|
|