DEBATES _ CENTRO CULTURAL DE BELÉM _ 2_3_4_JUNHO
sessões abertas das 17h00 às 20h00

Organização: Projecto Cultura das Redes em Portugal (CECL)
Coordenação: Maria Teresa Cruz (Dep. de Ciências da Comunicação, UNL)

Contacto: info@cecl.com.pt / Telef. 217950891

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Vivemos obsidiados pela arte e acossados pela comunicação. Em vez de especular sobre a morte da arte e a tirania da comunicação, melhor será questionar o conjunto das transformações e rupturas que afectam estas duas formas do humano. Cruzar as certezas da comunicação com as incertezas da arte é o propósito desta conferência. Entremos nele pela mão de Hermes, o operador da aproximação, dos espaços de interferência, o mediador livre que se passeia no tempo desdobrado e nos introduz assim no vento das mutações. É necessário fazer a articulação dos meios teóricos, técnicos e experimentais que caracteriza a formação dos novos media (hipermedia digitais) com as artes. Urge pensar o encontro Arte - Comunicação, não como fusão, mas como intercepção e diálogo. As grandes áreas temáticas destes debates serão: Arte e Media / Arte e Interactividade / Novas Plasticidades.

NOVAS PLASTICIDADES _ 2 de Junho


A arte é o medium que não é a sua própria mensagem. Ao contrário da definição de McLuhan. A ideia de que o computador é por si próprio capaz de produzir mudanças sociais e históricas é um equívoco. Os novos media libertaram-nos da ontologia da "obra de arte", do mito do "texto em si" e da ideia organicista da obra como um todo. A noção de experimentação, crucial no campo da arte e dos media, está continuamente a mudar. As técnicas numéricas têm a ambição de oferecer ao experimentador uma simulação cada vez mais complexa e próxima do real, contribuindo ao mesmo tempo para uma redifinição deste real. O medium, doravante, precede a mensagem. O sistema telemático, a performance, o controlo, a imersão parecem conduzir-nos a uma experiência mais de conjunção do que de separação. Pode dizer-se que o novo médium determinou novas mensagens?

Conferência: Eduardo Kac (The School of the Art Institut of Chicago)

ARTE E INTERACTIVIDADE _ 3 de Junho

As definições formais da interactividade são raras e prestam-se a conotações ideológicas óbvias: que os humanos e as máquinas são partes iguais da comunicação. Classificar um sistema como interactivo é dotá-lo de poderes mágicos. A introdução da lógica da autonomia torna as relações tradicionais do autor e do espectador com a obra mais complexas. Os dispositivos interactivos imaginados pelos artistas tendem a solicitar a participação do corpo inteiro. Estamos perante uma nova forma de hibridação entre a obra e o espectador? Que pode significar "ficção interactiva" e que implicações tem para a teoria da ficção? Estarão os orgãos da memória inorgânica a aproximar-se dos orgãos da nossa memória orgânica?

Conferência: Espen Aarseth (Humanistic Computer Science, Bergen)

ARTE E MEDIA _ 4 de Junho


Novas entidades simbióticas emergem, resultantes do encontro entre os humanos e a tecnologia num ambiente fechado e artificial. O poder cultural da figura do ciborgue deriva das suas múltiplas posições intersticiais entre o humano e as máquinas, a dependência e o engrancedimento. Afinal, o homem não é apenas modelado ou dotado por Prometeu, ele próprio é prometeico na medida em que modela os seus discursos e as suas performances e "ficciona". Não é o ciborgue um filhote do interface de autómato e autonomia, pondo em causa os velhos dualismos do eu/outro, alma/corpo, masculino/feminino, realidade/aparência?

Conferência: Friedrich A. Kittler (Humboldt-Universität, Berlin)

 

PROGRAMA - 2/3/4 JUNHO * SEMINÁRIO * WORKSHOP * FICHA TÉCNICA