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O HABITAT DA HIPERFICÇÃO José Augusto Mourão e José Casquilho |
Neste trabalho percorre-se uma sucessão de referências que ilustram como a conjunção da ficção literária e do hipertexto — denominada hiperficção — emerge num objecto cuja experimentação subverte a percepção do espaço-tempo real através da multiplicidade de percursos possíveis, traçados na rede labiríntica do espaço de narração; essa subversão intervém na ordem do tempo alterando substancialmente a sua percepção sequencial. Constitui-se assim, a nosso ver, um habitat da obra de hiperficção onde persiste a dimensão real do tempo mas se afirma como dominante outra dimensão — a dimensão imaginária do tempo — utilizando a terminologia que remonta à criação dos números complexos. Neste quadro, um instante comporta uma natureza bidimensional e um percurso desenha-se como uma trajectória no plano complexo de Wessel-Argand. O habitat da obra de hiperficção insere-se então num espaço-tempo complexo em que designamos por hipertopias os nichos preenchidos por obras de hiperficção. A ordenação aristótélica torna-se um elemento menor, exclusivamente local, da inteligibilidade deste mundo. |