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NOTAS SOBRE A FOTOGRAFIA E A EXPERIÊNCIA FICCIONAL Sérgio Mah |
Hoje parece cada vez mais evidente que a fotografia proporciona, acima de tudo, um jogo de visões em que o autor, a imagem e o mundo exterior se sobrepõem, configurando um horizonte perceptivo que extravasa significativamente as esferas da opticidade. A representação fotográfica potencia uma retórica da incerteza, um campo de figurações, desfigurações e refigurações que, entre outros apelos, conduz o sujeito a um labirinto de infinitas ficções em torno do imaginário quotidiano. Este texto procura traçar algumas das condições que legitimaram a experiência ficcional na fotografia, destacando dois momentos históricos em que o tema adquiriu especial pertinência: durante a vanguarda surrealista e na fotografia subjectivista, em particular, de Robert Frank. |