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A VERDADE DA MENTIRA Miguel Leal |
O esvaziamento das lógicas de ruptura e transgressão
com que as vanguardas artísticas se tiveram que confrontar, em especial a partir
da década de 60 do século XX, obrigou-as ao questionamento profundo dos
mecanismos institucionais reguladores da norma e do desvio. É o caso das
heterotopias museológicas que puderam ser interrogadas a partir das suas
capacidades efabulatória e ficcional. É no centro mesmo deste debate que, em
1968, Marcel Broodthaers abre a Section XIXème Siècle do seu Musée
d’Art Moderne, Departement des Aigles. A complexidade deste projecto, que
irá durar com diversas configurações até 1972, abre uma discussão sobre a
própria ontologia da arte num momento de aparente crise. |