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NO COVIL DE ROBERT WALSER Pedro Sobrado |
Este artigo propõe uma apresentação do escritor suíço Robert Walser, nas palavras de Elias Canetti, «o poeta mais escondido que alguma vez existiu». A sua natureza secreta mantém-se quase intocada em Portugal: autor pouco conhecido entre nós, a sua obra só agora começa, muito timidamente, a ser traduzida e publicada. Em todo o caso, mesmo depois do reconhecimento da sua importância e valor em quase toda a Europa, Walser parece manter-se ainda oculto numa concha, resistindo à apropriação. Opondo duas entidades quase ficcionais — os defensores e os intérpretes —, procura-se, por um lado, sugerir a manifesta impossibilidade, inutilidade ou insuficiência de qualquer explicação da obra de Walser, e, por outro, ensaiar aproximações com escritores contemporâneos, nomeadamente Kafka, lançando a questão do relacionamento com o seu tempo e com a instituição literária. Entre defensores e intérpretes, algures, em parte incerta, encontrar-se-á Walser. Todavia, mesmo num diálogo de surdos, é possível efectuar um percurso por algumas particularidades walserianas: a fuga do pensamento, a indiferença radical ao sentido, a superficialidade das suas personagens, a volúpia do fracasso, os microgramas, a relação de amor e ódio com a literatura, o passeio e a insignificância da qual se pode extrair algo de «vivificante e purificador» (Walter Benjamin). |