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A ESCRITA COMO ESCONJURO E COMO DEGRADAÇÃO DO TEMPO EM María de la Luz Hurtado |
Um dos romances mais íntimos e aparentemente mais simples do narrador mexicano contemporâneo José Emilio Pacheco (que em 2003 ganhou o prestigiado prémio Octavio Paz), O Princípio do Prazer (1972), escrito dentro da convenção de um diário de vida adolescente, oferece um exemplo fascinante do modo como o autor, a partir de uma ficcionalidade ou retórica da escrita de condensada síntese poética, configura um mundo fictício subjectivizado com fortes traços histórico-sociais, característico da modernidade latino-americana. O sentimento ôntico de consciência desditosa e o sentimento epistemológico de cepticismo que caracteriza toda a obra de Pacheco têm neste romance por referente a obra canónica Para além do Princípio do Prazer, de Freud, a qual, da sua condição inicial de contratexto ironizado, se transforma em hipotexto que funda o relato. |