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NA MODERNIDADE, ÀS ARRECUAS Charles Grivel |
O sentimento da ficção nos Modernos, e a sua extensão, constitui o tema desta contribuição. «Moderno», em literatura, é um livro que interroga a sua natureza de livro, bem como as razões que poderão ter levado aquele que o assina a escrevê-lo. Verifico este postulado em duas obras recentes de Emmanuel Hocquard (Le commanditaire, de 1993 e Le voyage à Reykjavik, de 1997), que têm como particularidade o facto de aliar fotografia e texto na busca do objecto da observação. Longe de confortar o desejo de representação que anima o narrador, as imagens depositadas no dossier do livro conduzem esse desejo ao vazio. «Na modernidade, às arrecuas», como o Anjo de Benjamin, assim procedem estas obras, mas sem conduzir à melancolia, porque tornam o seu objecto insignificante doravante reconhecido por inteiro na sua forma. |