Ana Rito, Mariana Castro e Sílvia Pinto Coelho 

19 de Maio, 18h00
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Torre B, Sala T1

 

18h00 | Cartografias do Cinema e da Fotografia

Mariana Castro

experimental cinema cartografias cinema fotografiaPartindo da ideia de que o Cinema pode ser construído com base num a cartografia do espaço, pensa-se com o é afectada a narrativa cinematográfica por essa ideia de cartografia que surge como princípio e resultado da experiência fílmica. Ocupando-nos assim de um cinema cartográfico, como lhe chama Tom Conley (“Cartographic Cinema”, 2007) fundado na experiência do caminho traçado e das imagens no espaço. Tendo como paisagem o filme “Kings of the Road” (1976) de Wim Wenders, parte-se num caminho pelo mapa que nos leva ao encontro da experiência fotográfica de autores como Alec Soth, onde retomamos a incursão pelo mapa para encontrar as imagens que estão sempre e já em movimento.

CONLEY, Tom, Cartographic Cinema, University of Minnesota Press, 2007
MALPAS, Jef, Place and Experience, Cambridge University Press, 1999

 

18h30 | Coreo-cinematografias

Sílvia Pinto Coelho

experimental cinema coreo cinematografiasTrabalhar com uma câmara de cinema, ou com uma câmara de vídeo é parte de uma estratégia coreo-cinematográfica que se adivinha na experiência de alguns artistas. A este propósito convocaremos um pouco das investigações coreo-cinematográficas de Lisa Nelson e de Bruce Nauman para falar de posições, de pontos de vista, de enquadramentos, de imersão, de recuo, de ver e de ser visto. E da possibilidade de segurar um instante, de instalar um percurso, um padrão que não dispensa a actualização da atenção. Escolhas de «reteritorialização», e de «recoreografização», a tempos, com cadências, ritmos e ritornellos (Apud Guatari, 1993).

GUATTARI, Félix, 1993, Caosmose, Um Novo Paradigma Estético. Rio de Janeiro, Editora 34.
LEPECKI, André, 2006, The Exhausting Dance, New York, Routledge.
2011, «Coreopolítica e Coreopolícia», ILHA vol 13, no 1 Jan. /Jun.: 41-60.

 

 

 

19h00| Performatividade da imagem e do espectador moventes: práticas artísticas e curatoriais em “campo aberto” 

Ana Rito

experimental cinema performatividade imagemA partir da prática artística e curatorial, desenhamos a nossa estratégia investigativa: considerar diferentes noções de palco e de ecrã, elasticizando e definindo uma “zona de contacto” que se concretiza quer no espaço expositivo (museográfico) quer, mais especificamente, na experiência da vídeo-instalação. A aproximação de duas linguagens, a cinematográfica e a performativa (entre a “aparição” da imagem e a construção do objecto), instaura um novo paradigma do olhar que coloca em cena o corpo do espectador (agora) movente e activo na condução do seu próprio processo perceptivo.

Fazendo da imagem matéria primordial de reflexão, a exposição ​A Visão Incorporada/The Embodied Vision – Performance para a câmara pretende estabelecer a sua génese operativa a partir de um enunciado que reflecte sobre a presença e a ausência do corpo, na observação dos momentos de transição, de contacto, de suspensão, de cruzamento e de hesitação.

GRAHAM, Dan, ​Cinema-Theater​, in ​Dan Graham, Works 1965-2000​. Dusseldorf: Richter Verlag, 2001.
BRUNO, Giuliana, Atlas of Emotion: Journeys in Art, Architecture and Film. New York: Verso, 2002.
BACHELARD, Gaston, L ́Intuition de l ́instant. Paris: Éditions Gonthier, 1966.
AUSLANDER, Philip, CLAUSEN, Barbara, KRICK, Nina (Ed.), After the Act / The (Re)Presentation of Performance Art, MUMOK Theory 03: Verlag Moderner Kunst, 2006.

 

20h00 | Intervalo

20h15 | Q&A

 


 

Mariana Castro (1986) realizadora e fotógrafa. Licenciou-se em Realização de Cinema (ESTC 2009). Fez o mestrado em Filosofia — Estética (FCSH 2012), com a orientação de Maria Filomena Molder. Actualmente a desenvolver investigação do Doutoramento em Comunicação e Arte (FCSH). Em Cinema foi seleccionada para o ESFS (Beograd, 2008) com o realizador Milco Mancevski, e para o festival Up-and-Coming (Hannover, 2011) para realizar filmes. Trabalhou como assistente de realização para produtoras portuguesas e ganhou prémios pela realização dos seus filmes "Imemória" (2009) e "Encontro" (2011) que percorreu festivais de cinema, sendo premiado e exibido em Lisboa, Nova Iorque, Hanover e Viena. Realizou em 2010 uma série de documentários etnográficos e culturais. Expõe fotografia individualmente desde 2010 tendo a sua última série fotográfica "Interiors" sido premiada com o 1o Prémio de Fotografia da UNL, 2014.

Sílvia Pinto Coelho coreógrafa, bailarina e investigadora. Finaliza a sua tese de doutoramento sobre «pensamento coreográfico», na FCSH. É mestre em Ciências da Comunicação, licenciada em Antropologia, bacharel em Dança, tendo feito também o curso de Intérpretes de Dança Contemporânea do Forum Dança (1997/1999). Iniciou a sua formação em dança na Academia de Bailado Clássico Pirmin Treku, no Porto, em 1981. Vive em Lisboa desde 1994 integrando no seu percurso, o estudo da dança contemporânea europeia, em especial, a portuguesa. Apresentou peças suas em Portugal, na Alemanha, onde viveu três anos, e em Espanha. Colaborou com vários artistas em processos de pesquisa coreográfica, de pedagogia, e em filmes. No seu trabalho destaca as peças «Einzimmerwohnung» (2004), «Süss» (2007) e «Un Femme» (2009).

Ana Rito​ (1978)
Desenvolve a sua actividade entre a prática artística, a curadoria, a investigação e a docência.
Desde 2002 que participa em várias exposições enquanto artista e enquanto curadora. Em 2007 participa na exposição colectiva Faccia Lei​, comissariada por Elena Agudio no Spazio Tetis - Arsenale, 52a Bienal de Veneza. Apresenta em 2010 ​PUPPE PROJECT​, na Galeria MAM – Mario ​Mauroner Contemporary Art, Viena, comissariada por Fabrizio Plessi no âmbito do Festival Art&Film, ​There is no World when there is no mirror​, Palácio Pombal, inserida no Festival Temps d ́Images e produzida pela Fundação Calouste Gulbenkian e participa na mostra ​A Culpa não é minha – Colecção António Cachola​, Museu Colecção Berardo, seguida depois de ​O Museu em Ruínas​, MACE – Elvas. Em 2011 co-comissaria com Hugo Barata e Jean-François Chougnet ​Observadores – Revelações, Trânsitos e Distâncias​, Museu Colecção Berardo e em 2013 organiza o projecto CURATING THE DOMESTIC – Images@home​, Trienal de Arquitectura de Lisboa.
É curadora da exposição ​A Visão Incorporada/The Embodied Vision – Performance para a câmara, ​no Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado em 2014. É actualmente Bolseira da FCT, encontrando-se a realizar Doutoramento na especialidade de Instalação-vídeo, em torno da Imagem e das artes performativas.