Coordenador: Jacinto Godinho

Duração: 2011-2014

 

Resumo:
Série documental de 20 episódios sobre a história da polícia política PIDE com autoria de Jacinto Godinho e Irene Pimentel. Este projecto de investigação tem a coordenação científica do investigador Professor Jacinto Godinho (CECL) e da investigadora Professora Irene Pimentel, com a participação do estudante de doutoramento em história contemporânea Dr. Edmundo Alves. O projecto encontra-se em fase de edição e montagem. A série documental é realizada pelo Professor Jacinto Godinho e será exibida pela RTP em 2014.

 

Descrição das Actividades

História da PIDE é um projecto de investigação científica sobre a formação e actuação das policas política em Portugal durante o período da Ditadura Militar e Estado Novo (1926-1974). A investigação científica pretende recolher e analisar documentos, imagens e testemunhos que permitam constituir um acervo audiovisual o mais completo possivel sobre a actuação das polícias politicas, sem duvida uma das problemáticas mais polémicas e fracturantes da sociedade Portuguesa. Pretende também constituir um arquivo histórico não apenas para preservar a memória mas também facilitar futuras investigações sobre o tema.

O objectivo inicial do projecto era a realização de uma série documental de 6 episódios para exibição pública na RTP, no entanto a quantidade e qualidade do material recolhido fez aumentar o numero de episódios para 20 aproximadamente.

História da PIDE é um projecto já de si difícil de transpor para uma narrativa escrita e mais ainda para uma narrativa de imagens. Em termos visuais trata-se de fazer a história de fantasmas. Sabe-se quem foram os protagonistas, o que fizeram, mas na maior parte dos casos não se conhece o rosto e as acções praticadas não deixaram vestígios visuais.

Há arquivos de imagens em Portugal mas muito incompletos e/ou na maioria dos casos de difícil acesso porque não estão tratados em base de dados que facilitem a busca e a investigação. Só uma investigação metodológica e minuciosa a cada uma das imagens pode dotá-las de verdadeiro valor histórico e documental, reconhecendo ali e acolá factos e personagens para uma memória que assim ganha rosto, provando de facto a veracidade dos factos ou desmentindo-os inequivocamente.

A fotografia foi uma das armas de consolidação da Ditadura e do regime do Estado Novo. A obrigatoriedade do bilhete de identidade com fotografia já vinha dos inícios da republica em 1912 mas foi a Ditadura que o alargou à generalidade dos cidadãos num sistema próxima do que hoje existe. A partir de 1933 os livros de cadastro das policias, especialmente da policia política, passaram a ter uma organização pormenorizada que se manteve até ao 25 de Abril. Fotos em três poses e informação na ficha de todos os actos jurídicos, prisões e sentenças dos detidos.

Este dispositivo é fundamental para se perceber a eficácia do regime ditatorial, onde passa então a vigorar um curioso dispositivo de imagens proibidas. A censura e a policia tinham poderes para definir dois tipos de proibição:

  • O que tendo sido fotografado ou filmado e não podia depois ser publicado.
  • O que não podia sequer ser fotografado ou filmado impedindo a presença de fotógrafos ou cinegrafistas nos eventos.

A imagem era um perigo caindo nas mãos da polícia. Era também um perigo porque podia ser utilizada em campanhas de contra informação. A polícia proibia as imagens que não lhes interessava mas dotou-se de um meio para visualizar ao máximo a oposição que perseguia. Jogava com o máximo de potência política que se pode retirar de um dispositivo óptico – ver sem ser visto.

 

Data de início: 25-11-2011
Data de conclusão: 31-12-2014
Orçamento: €290.332
Entidade Financiadora: RTP – Rádio Televisão Portuguesa
Investigador Responsável: Jacinto Godinho
Áreas Cientificas: Ciências da Comunicação; História