NOTA: Informamos que por razões alheias à organização, o Colóquio Arte&Melancolia passará a realizar-se nos seguintes auditórios da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa:
- Dia 26 de Março – 6ª feira – Auditório 2, 3º piso da Torre.
- Dia 27 de Março – Sábado – Auditório 1, 1º piso da Torre.
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A Melancolia possui uma aura de genialidade que lhe é conferida pelo pensamento aristotélico, ao colocá-la como limite do humano. As artes, assim como a literatura, estariam imbuídas do espírito do melancólico. A. Dürer e R. Burton legam-nos uma visão moderna da melancolia. Se A Melancolia I configura o temperamento melancólico que estaria virado para as artes, a Anatomy of Melancholy expõe a ambiguidade de um estado que é caracterizado, ao mesmo tempo, como catástrofe e distinção. A figura exemplar do melancólico é, na Modernidade, o dandy, embrenhado de spleen.
Por seu lado, a medicina hipocrática trata a melancolia pela etiologia humoral, baseada nos fluxos que, no seu destempero, provocariam efeitos psíquicos. O temperamento melancólico resulta de um desequilíbrio humoral, de um excesso de bílis negra que afecta a mente. A melancolia embebe a pré-modernidade de uma visão temperamental ao ligar, numa lógica das correspondências, os humores aos quatro elementos, às quatro estações do ano, às quatro qualidades naturais; ao macrocosmos de que o corpo é o microcosmos. A atra-bílis oscila entre a doença e o pecado. Na visão cristã, ela pode pender para a acédia monástica ou revelar-se na possessão demoníaca. A psicanálise freudiana devolve a melancolia aos afectos, onde corpo e alma se tocam, e explica-a por uma perda arcaica, de cariz narcísico. O sujeito confronta-se com a depreciação de si; exercendo uma certa lucidez face ao ego, abre-se, então, à meditação sobre si. É a criação do ethos melancólico.



Arte & Melancolia - Programa