A Estratégia como Ética do Conflito mediante a Contrastaria Levinisiana
Procuramos no presente artigo indagar muito brevemente, na verdade um mero escopo do que é uma investigação mais vasta, de como a estratégia, tradicionalmente ciência e arte da gestão da violência entre entidades políticas é muito mais do que isso, configurando antes uma ética do conflito, uma arte da prudência para além de toda a prudência, quando já não é possível mais nada, quando a sem-razão já se instalou por inteiro.
Para o efeito, consideraremos a relação que a estratégia tece com a guerra, o zénite da conflitualidade hostil e da violência política, e de como mesmo aí, no seio da guerra, sem conseguir suplantar a irredutível caótica bélica (esforço apenas ao alcance de paz pura, de raiz messiânica), a estratégia pode conseguir encontrar plexos de sentido.
Fá-lo-emos através da mediação entrelaçada das figuras do reconhecimento e da morte, segundo o particular signo de contraste, ainda que não exclusivamente, do pensamento levinisiano.
Faltará apenas perguntar de que ética se trata. Neste breve artigo a resposta não é desenvolvida, pelo que dizemos apenas se tratar de uma ética compassiva, em instância prudencial, à la Levinas, Rosenzweig, Benjamin, Metz ou Reyes Mate, mas provocando uma kenosis ética ainda mais radical, ao pretendermos mergulhar no coração do inaudito para aí resgatar os horizontes de sororidade possível e dizer não ao não-ser, quando já não é possível dizer sim ao ser. Isto é, que apesar de tudo, o mais além do ser não deixa nenhum continente por redimir.


















