Reconhecimento assimétrico do outro ao terceiro

Por Cristina Beckert

Pretendemos, com esta comunicação, mostrar como Lévinas encara o tema do reconhecimento, quer na tradição filosófica ocidental quer na sua própria filosofia, ao introduzir um elemento assimétrico no seio da simetria exigida pelos pressupostos ontológicos do reconhecimento enquanto categoria filosófica. Assim, num primeiro momento elegemos a metáfora do “périplo de Ulisses” para retratar uma subjectividade que apenas considera o outro um meio no processo que conduz ao seu próprio auto‑reconhecimento, para, de seguida, introduzir o tema do rosto, irreconhecível, porque inassimilável, mas gerador da assimetria fundante da relação ético-metafísica.

O cerne da nossa reflexão consistirá, porém, no equacionamento da possibilidade de um reconhecimento na própria assimetria, a partir da figura do terceiro, tal como é tematizado em Le Moi et la Totalité, Totalité et infini e, sobretudo, em Autrement qu’être ou au-delà de l’essence, onde o regime de excepção do eu e o recurso à Illeidade divina garantem a preservação da assimetria ética no seio da própria totalidade ontológica, onde impera a equidade da justiça.

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