Femininidade e Hospitalidade – a difícil incondição do “humano” e da “comunicação” segundo Emmanuel Lévinas

Por Fernanda Bernardo

Repensada por relação com as éticas filosóficas, onde tradicionalmente é tida por um registo do corpus filosófico, a “ética” levinasiana é uma bem singular “ética” da hospitalidade – como hospitalidade. Uma “ética” apostada em pensar a difícil incondição do “sujeito humano” des-inter-essado, arqui-originariamente tido como hóspede (“hôte”, cf. Totalité et Infini, 1961) ou refém (“otage”, cf. Autrement qu’être ou au-delà de l’essence, 1974) do “outro homem”, considerado “o primeiro vindo”.

Não é assim sem ambiguidade nem contradição que nesta “ética” humanista de inspiração privilegiadamente paterno-fraternalista – na linha, aliás, de um certo monoteísmo judaico também “eticamente” repensado por Lévinas –, o “feminino” venha sub-repticiamente a definir, e já ao tempo de Totalité et Infini (1961), a hospitalidade ou o “acolhimento por excelência”.

É por isso intenção desta comunicação salientar como é que, a par do androcentrismo mais clássico inerente ao “humanismo do outro homem” da “ética” levinasiana, nela coexiste um singular pensamento do “feminino” que, antes e para além de qualquer “feminismo”, figura e declina uma Lei da hospitalidade que se revela não só o “segredo” do “humano” para além e diferentemente do ser, como da “comunicação”.

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