A comunicação pública de arte (CPA) envolve a produção, difusão, consumo e compreensão da arte em contextos públicos. Ou seja, a CPA pressupõe que a arte é um processo social e comunicativo, requerendo, para além dos artistas e dos 'art gatekeepers', uma 'audiência activa', que reproduz os mass media e as instituições culturais, mas também os transforma.
Para além disso, nas últimas décadas, os mundos de arte emergiram enquanto contextos sociais centrais onde novos estilos de vida, modos de cidadania cultural e literacias visuais propõem regulações, práticas e opiniões inéditas.
Em particular, os processos precedentes acontecem em museus locais/nacionais ou em museus globais no seio do ciberespaço. Estas instituições culturais enquadram-se na nova ordem da comunicação global, onde também são possíveis alternativas por parte das audiências. De facto, na Internet, comunidades virtuais múltiplas, na sua interação, usam uma 'leitura multimodal' e constroem significados plurais que resultam em novas experiências de arte. Todavia, esta relevante problemática tem sido insuficientemente tratada pela pelos Estudos comunicativos e culturais em Portugal.
Este projecto visa circunscrever tais processos em 2 direcções principais da pesquisa:
1) Uma reflexão sociológica efectuou um diagnóstico de situação sobre a CPA em museus de arte físicos e virtuais. Neste campo empírico, foi testada, entre outros conceitos, a ideia de museabilidade (i.e., as condições contextuais, económicas, sócio-culturais e politicas da musealização, no interior de uma dada sociedade). A musealização significa o conjunto de estratégias de apresentação de obras de arte, pelos profissionais do museu, a um público de não-especialistas. Algumas questões iniciais nesta perspectiva são as seguintes:
Q1: que influência exercem a museabilidade e a musealização na CPA?
Q2: de que modo o planeamento urbanístico e os espaços urbanos da cidade organizam os espaços culturais onde o museu de arte se integra?
Q3: quais os traços sócio-demográficos e as carreiras comunicativas notáveis do público que constitui os visitantes do museu de arte, em especial na sua conexão à cidade, ao trabalho, à família e à escola?
Q4: que actividades e negociações interactivas, em suportes clássicos ou em hipermédia, são possíveis no espaço comunicativo do museu?
Em termos de metodologia, o universo de estudo apresenta uma dupla natureza: ao nível local, foi realizado um inquérito por questionário a segmentos específicos de público do museu de arte, especialmente na exposição 'Sem Rede' da artista plastica Joana Vasconcelos, que decorreu no Museu Colecção Berardo de 1 de Março a 18 de Maio de 2010. No plano global, foram efectuadas a análise de conteúdo e de discurso de sítios, páginas, blogues e wikis sobre arte na internet e museus virtuais. Igualmente, foram empreendidas entrevistas a dois tipos de agentes culturais: mediadores da arte ou art gatekeepers, como directores de museus, curadores e responsáveis por serviços educativos dos museus; artistas plásticos, experimentais ou mais tradicionais, e pertencentes a vários estilos e gerações.
Nesta área do projecto, a equipa inclui os seguintes membros: Pedro Andrade (FBAUL, CECL), José Augusto Mourão (FCSH, CECL), Fernando Nunes da Silva (IST), Pedro Barbosa (Univ. Fernando Pessoa), Patricia Valinho (CECL), Emanuel Cameira (CECL). Consultores: Antoni Remesar (Univ. Barcelona), Moisés Martins (Univ. Minho), Luís Baptista (FCSH-UNL), Jorge do Ó (Fac Psicologia,UL).
2) Uma parte mais prática e pedagógica do projecto visa a aplicação de um sistema de aprendizagem e investigação informais para as artes a usar em museus, baseado em hipermédia apresentando novas interfaces, como uma mesa interactiva multitoque para consulta e comentários das obras da artista, onde se realizou um questionário interactivo multitoque e um jogo cultural nomeado jogo das tricotomias.
Os membros da equipa responsáveis por esta área são: Nuno Correia (CITI,FCT-UNL), Andreia Almeida (CECL) e Luis Silva (CITI, FCT-UNL). Consultor: Luís Petry (Univ. Pontifícia, S.Paulo).
Estas diversas perspectivas são hoje apresentadas e debatiidas pelos membros da equipa, consultores e bolseiros do projecto, bem como por personalidades convidadas, especialistas nas matérias em discussão, no quadro do programa das Conferências Comunicação Pública da Arte.
Pedro de Andrade
Coordenador do projecto