Galeria e Auditório Municipal de Torres Vedras | 25 de Maio de 2013, 15h00
Comissário: José Maria Parreño

A moldura é simultaneamente objecto e conceito, e nasce do gesto delimitador do áugure (sacerdote romano) sobre o espaço celeste. Este gesto desenha um quadrado que faz uma selecção, um corte na amplitude do céu estrelado. É um quadrado separado da infinitude celestial. Aí, neste espaço interior tornado recinto fechado, o áugure interpreta os sinais dos deuses, considera, operando um jogo entre o visível e o (in)aparecido – jogo esse que cumpre uma dimensão sacralizadora. Este gesto enquadrador é o princípio do enquadramento.
A moldura é também possível de ser pensada como párergon e está para a pintura, o desenho, a fotografia ou qualquer outro suporte bidimensional, como o plinto está para a tridimensão na sua relação com o objecto escultórico, ou como o ambão está para o livro e a vitrina na sua versão de caixa transparente, está para o seu conteúdo. Moldura, plinto, ambão e vitrina são figuras de representação mas também dispositivos museológicos de apresentação, exibição e exposição. A sua função faz um enquadramento que põe em destaque. No caso da moldura, este enquadramento pode ser da ordem do esquema e/ou da repetição: a grelha é ainda usada como elemento geométrico figural na representação, e/ou, como dispositivo auxiliar de representação.
Neste projecto, primeiro desafiaram-se os artistas a produzir obra(s) a partir do texto acima exposto. Depois, o desafio foi lançado aos investigadores teóricos que, com conhecimento das obras produzidas, articulam a sua investigação com o conceito párergon. Exposição & conferência entrecruzam, assim, dois âmbitos da investigação: a prática criativa actual e a teoria.








